ELA II

Cabelo ao vento
Olhar desatento...
Alma lavada
Foi-se na madrugada.
Levou-a Deus
Sem nenhum adeus..."
Quando escrevi o breve poema acima, precisava externar um pouco da tristeza, do vazio, da saudade, da fé, da admiração que jorrava e jorra cada vez mais forte de dentro de mim.
Porém, quero deixar público que, embora creia de todo o coração que Deus é Onipotente, Onisciente e Onipresente, é o Deus sobre cujos ombros está todo governo - embora e acima de tudo creia eu neste Deus -, Ele mesmo sabe que dentro de meu coração, junto com a dor, está a certeza do que aconteceu, do que se passou na vida DELA, em poucos segundos ou em pequenas frações destes...
Eu sei que ELA já dirigiu em circunstâncias "pessoais-físicas" muito maiores do que as que poderiam ter exercido sobre ELA naquele momento; eu sei que ELA sempre negou agir ou fazer o que naquele momento tentou evitar e afastar, infelizmente resultando no fato imutável de sua ausência definitiva entre nós.
ELA faz parte de minha vida, o olhar DELA pode ser sempre colocado sobre mim, sobre minha aparência, sobre minha presença, sobre minha pessoa; ELA é a única que realmente interessa;ELA somente pode se aproximar de mim e beijar minha face; ELA e somente ELA permanece inculpável - à exceção da falta do cinto.
Quanto a ELE, que tire seus olhos de mim, que saia do meu caminho e que morra - quando acontecer - com a cabeça muito, muito pesada e marcada; muito mais marcada do que um mero corte cicatrizado e coberto por uns fios de cabelo.
E vocês, que me leem agora, passem-lhe este aviso: "Tire os olhos de mim e SAIA DO MEU CAMINHO".
Pronto... Falei.
PS.: Tem mais é que agradecer a Deus mesmo, afinal, não está tendo a dor maior que é ver o sofrimento de pai e mãe...